Partidos políticos: dois a mais, um a menos, pode não fazer a diferença – Por Vicente Bastos Pereira*

14/03/2014

Em 2013 nosso querido Brasil ganhou três novas legendas interessadas em ingressar na política nacional e apresentar suas ideologias, bandeiras políticas e sociais aos brasileiros. As legendas anunciadas foram: o Partido Solidariedade (SDD), Partido Republicano de Ordem Social (PROS) e o partido Rede de Sustentabilidade (REDE).

Entretanto, dos três que apresentaram os respectivos interesses, as assinaturas e toda papelada “legal” exigidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apenas dois conseguiram aprovação do Sistema Político Brasileiro e do TSE, o Solidariedade e o Partido Republicando de Ordem Social, já o Rede de Sustentabilidade ficou com registro negado pelo TSE.

Junto à aprovação, surgiram dúvidas populares, pois as possibilidades são claras dos novos partidos (SDD) e (PROS) se identificarem positivamente e se firmarem como dois novos partidos, ou só mais dois dos mesmos. A referida reflexão surgiu naturalmente, pois no passado bem próximo, escândalos surgiram, políticos foram presos e todos os envolvidos eram no mínimo representantes de um dos novos, hoje, velhos partidos, ou pelo menos tinham ligações aos partidos que se diziam representar o povo.

O artigo 1º da Constituição Federal de 1988, em seu texto diz que, a Republica Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel e isso inclui o Pluralismo político, referindo à criação de novos partidos ou legendas, onde todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente através de legendas partidárias.

Embora saibamos da importância dos partidos para o Sistema Político Nacional, para a construção de novas possibilidades de institucionalização e criação de novas opiniões ideológicas que serão compartilhadas por um ou mais grupos de pessoas com o intuito de promover lutas políticas e defender uma nação, não podemos ter o luxo de perder a razão, apostando todas as fichas nos referidos partidos “(SDD) e (PROS)”, devemos ficar atentos, e não esquecer jamais da famosa frase “povo escaldado, tem medo de água fria” onde a feliz frase, se faz clara pela propriedade matemática singulada pelas igualdades “gato é igual ao povo, escaldado é igual a mal representado e água fria é igual a corrupto”.

Atualmente, o pensamento de todos ou pelo menos da maioria da população brasileira sobre a ativa participação de envolvidos em escândalos e em desvio de recursos públicos financeiros são de repúdio e tais atividades estão sendo rotuladas como contrárias à verdadeira identidade dos partidos, com isso, os representantes de partidos capazes das ações citadas transformam seus partidos em meras legendas, manobradas por interesses particulares de um, outro político ou uma quadrilha inteira.

Porém, não podemos esquecer que somos brasileiros e não desistimos nunca. Há meu ver, sem informações técnicas e opinião pouca fundamentada, a criação de novas legendas é sim importante para o Brasil, e isso ocorre quando os representantes dos mesmos honram seus interesses e seus representados, elaborando ideologias específicas, conservadores e radicais quando for o caso, que beneficie lutas sociais a favor do povo, exclusivamente do povo.

Além dos benefícios a favor de ideologias paralelas e vetoriais que apontam uma mesma direção e sentidos iguais aceitas por grupos de pessoas sensatas, leais aos princípios morais e éticos, os partidos podem e devem ter visão sólida e clara do que precisamos para defender os interesses e direitos de todos, sem oligarquias, sem bulinar as leis vigentes, e sem visar interesses próprios.

Outro agravante na criação do Partido Republicano da Ordem Social (PROS) e Solidariedade (SDD) que certamente pode confundir suas definições aos olhos de populares são as comparações, tendo em vista que, para muitos o processo de criação dos respectivos partidos foi de forma aleatória e sem marcos histórico em lutas sociais, como por exemplo, o Partido dos Trabalhadores (PT) legenda da Presidenta Dilma Rousseff e o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) legenda da Governadora do estado Maranhão, Roseana Sarney, filha do Ex-Presidente José Sarney. O primeiro surgiu se consolidou junto a greves e movimentos sindicais no início da década de 1980, o segundo, foi fundado em 1980 e indicado como o principal representante da redemocratização, enquanto isso, quais fatos históricos poderiam justificar a criação desses novos partidos?

Percebo que, o (PROS) e (SDD) ainda não têm identidades políticas marcantes que forneçam os alicerces ou a base para o expoente político que sustenta a confiança. Contudo, novos partidos evidentemente irão aumentar a perspectiva de novas lutas, surgimento de novas ideias com ares de esperança a uma nova nação.

Parte da equação insolúvel é acrescentada pelas mídias, onde já mostrou, mostra e muito provavelmente irão mostrar mais escândalos, frutos de ações de maus políticos, gerando reações e abalando ainda mais a confiança dos brasileiros em relação aos atuais partidos, e acabam transformando as grandes legendas como representantes de muitos, porém, defensores de interesses de poucos, que aos poucos são contaminados pela corrupção da política.

Porém, novos partidos sempre serão bem vindos, boa sorte e sucesso aos bons. Fica a dica aos novos surgidos e aos que irão surgir, “muito cuidado com a amnésia dos injustos e a ganância do poder, não se esqueçam dos verdadeiros objetivos e propósitos de sua criação”.

Enquanto isso, permanecem as dúvidas.

 
(*)Vicente Bastos Pereira – Professor da rede pública de ensino de Lago Verde – MA; Graduado em Licenciatura em Ciências, com habilitação em Matemática; Pós-graduado em Reengenharia de Projetos Educacionais e graduando em Administração Pública.
www.facebook.com.br/prof.vicentebastos

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