Eleição de diretores na rede estadual de ensino do Maranhão. Resultará no acesso democrático à Gestão Escolar?. Por Vicente Bastos Pereira

23/07/2015

Se não houver efeitos colaterais, certamente as eleições para diretores da rede estadual de ensino do Maranhão, regulamentada pelo Edital n.º 003/2015 e previstas para acontecer no segundo semestre de 2015 revolucionará de forma positiva a educação do estado.

Podemos afirmar, segundo o texto previsto na LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional n.º 9.394/96), onde trás em seu Art. 3º, o trecho “GESTÃO DEMOCRÁTICA do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino”, tratado como um dos princípios básicos da educação nacional, que Gestão Democrática nas escolas funcionam como item fundamental numa gestão escolar de qualidade que prioriza a realidade, às necessidades e participação de toda comunidade escolar no processo, acompanhamento e manutenção do ensino, objetivando ampliar o bom e corrigir o ruim de forma que todos participem.

No entanto, o que entendemos sobre gestão democrática? Gestão democrática será o voto direto ao acesso da gestão? ou será um profissional na função de gestor escolar que exerça suas funções de forma clara, transparente e com a participação de toda comunidade escolar e representantes de todos os segmentos da Instituição com fidelidade plena às diretrizes e normas legais, sem medo de agradar prováveis parceiros e aliados em eleições futuras?

A verdade é que, de uma forma ou de outra, um bom profissional, certamente exercerá de forma transparente suas atividades respeitando as opiniões diferenças e dificuldades apresentadas referente a realidade dos profissionais e comunidade. Entretanto, é fato que o voto direto nos faz teoricamente nos sentirmos mais participativos na escola, mesmo que os riscos de camaradagem apareçam, desencadeando efeitos colaterais já notórios em eleições diretas de governantes e representantes de instituições públicas, empresas, sindicatos, conselhos tutelares, etc., isso, respeitando é claro as devidas proporções.

Com isso, não podemos deixar de pensar na possibilidade do surgimento do “TOMA LÁ, DÁ CÁ!”, ação já presente em eleições diretas, seja em escolas, eleições partidária, conselhos e outros, ressalvando que esta ação está presente não na sua totalidade, porém, numa parte considerável, onde geralmente funciona assim, O TOMA LÁ, receberá como DÁ CÁ, o fortalecimento de apoios, alianças e votos em troca de favores que mais atrapalham do que ajudam.

Por outro lado, analisando especificamente o sistema que será adotado para escolha de diretores, gestores e adjuntos das escolas públicas estaduais, devemos afirmar que os critérios utilizados na escolha dos prováveis candidatos está sendo feito com excelência, pois antes da chegada do possível correntes na eleição direta, as primeiras etapas realizadas os qualificam como conhecedores do Sistema Educacional como: Funcionamento pedagógico e administrativos, dificuldades, possíveis soluções, conhecimentos, experiências na área, entre outros que resultarão em créditos a concorrer ao cargo.

No meio de tudo isso, o lado pessimista de hoje, aponta que uma pequena parte da comunidade escolar,  teme pela invasão e intromissão de influencias política partidárias na etapa final do processo de escolha, situações já vistas em alguns segmentos que adotam  disputas diretas como critério de escolha de seus representantes, onde a política e politiqueiros regionais influenciam os resultados a favor de suas preferências.

Aproveito e justifico esse ponto de vista, visto hoje como um possível efeito colateral. Afinal, todos torcermos que a democracia reine, mas de forma justa, por que o consenso nos mostra que a democracia pelo fato de ser a maioria nem sempre está certa, e o certo é certo, com ou sem a maioria, sem influencias e obedecendo critérios.

VICENTE BASTOS PEREIRA
Professor da rede pública de ensino |Graduado em Matemática – UEMA | www.vicentebastos.net |E-mail: vicente.fisica@hotmail.com |Facebook e Instagram: Vicente Bastos

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